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Sábado, Setembro 24, 2005


HURRICANES AND LOGHORNS (furacões e chifres)

Tomei vergonha na cara para escrever mais um diário de bordo do que rola pelas Terras do Tio Sam. Prometi no post anterior escrever sobre a Universidade, mas hoje estou inspirada para escrever de tudo um pouco.


1.Furacões

Vamos começar pelo evento da semana, o furacão Rita.

Os americanos foram pegos de surpresa pelo furacão Katrina, que criou efeitos colaterais físicos, econômicos e morais para os próximos anos. Quando o Katrina surgiu, eu tinha pouco acesso à TV, e passava a maior parte do tempo na Universidade, pois não fazia 3 semanas que eu tinha chegado.

Eu não havia me dado conta do tamanho do estrago até começar a ler dois dos jornais mais lidos em Austin, o Austin American Statesman e o Daily Texan (este, distribuído de graça). Quando me instalei no meu atual apartamento, pude ver melhor as reportagens e as imagens. Como vim para cá para estudar a mídia protestante americana, não faltaram programas de diversas igrejas e televangelistas (incluindo o Pat Robertson, aquele que sugeriu dar cabo do Hugo Chavez) levantando fundos e coordenando esforços para dar assistência aos sobreviventes e refugiados do Katrina.

Austin, sendo uma cidade super engajada e politicamente correta, fez tudo quanto é tipo de evento para ajudar. Marchas, corridas, mini shows, mega shows (como o comandado pelo Willie Nelson essa última quarta, 21 de setembro), até uma mega feira organizada pelos estudantes da Universidade do Texas para arrecadar fundos e inscrever voluntários. Muitos sobreviventes foram para Houston e para Austin, e quem veio para Austin não quis mais ir embora para outro lugar. Como já havia indicado antes, aqui é a terra da hospitalidade.

Muitas pessoas ficaram indignadas com a lenta resposta do governo municipal (de Nova Orleans), estadual (da Louisiana) e nacional (you know who). Duas expressões foram muitos correntes na imprensa: *finger-pointing* e *passing the bucket*. A primeira, quando você point fingers, significa acusar ou culpar uma outra pessoa por um problema. Já pass the bucket tem um similar brasileiro, que é empurrar o problema para os outros. Enfim, quando o Rita se aproximou do Texas, perto de refinarias de petróleo e de Houston, a quarta maior cidade dos Estados Unidos, o povo tratou de se preparar muito bem para não *be caught with your pants down*, ser pego de surpresa.

Durante essa semana, quando o furacão passou para intensidade 5, eu passei de desencanada (afinal essa era a cidade para onde o pessoal estava vindo) a muito preocupada, pois havia a grande possibilidade de sermos pegos com furacão 1 ou uma grande tempestade.

Eu e a minha amigona Beth, minha big sister, corremos para o supermercado para estocar água, comida enlatada e bateria. Dos três só encontramos a comida, e ainda assim já no fim. O pessoal de Houston veio toda para cá, e para cidades adjacentes, preparando-se para o pior. Refugiei-me no apartamento da Beth, pois ela estava bem melhor preparada para enfrentar isso.

Felizmente, graças a Deus, as notícias foram melhorando ao longo do dia de ontem, e o furacão passou para categoria 4 e foi se desviando para o nordeste do Texas, na divisa com a já castigada Louisiana. Hoje de manhã, o dia amanheceu levemente nublado, com algum vento e muito sol. A vida continua, e hoje, no dia do furacão que não houve (the hurricane that wasn¿t) estou escrevendo esse texto para vocês.


2. Universidade

A Universidade do Texas é gigantesca e fascinante. Foi construída com a grana dos petroleiros, e o seu símbolo é o Longhorn, o chifre de boi! As cores da Ut são branco e laranja, e existem lojas dentro e fora da UT vendendo roupas e quiquilharias com o chifrinho em branco e laranja. Até eu já tenho o meu chaveirinho Longhorn!

O símbolo do Longhorn é o mesmo do heavy metal. É verdade! Tem até a estátua de um senhor, com chapéu de cowboy fazendo o sinal do heavy metal, digo, longhorn. Ainda não comprei câmera digital, mas tenham paciência pois eu vou mostrar a foto assim que comprar.

Tem também o time de futebol (americano), que pára a cidade quando tem jogo. E os ônibus, em época de jogo, exibem o grito de guerra do time, Hook`em Horns! Tem as cheerleaders, que de vez em quando treinam suas coreografias no jardim do Museu do presidente Lyndon Johnson, perto da biblioteca onde costumo estudar.

Há várias bibliotecas, mas a maior é a Perry Castanheda, com uns sete andares e trilhões de livros. Você encontra literalmente tudo em todas as línguas. É fascinante. E não há limite de empréstimo: você pega quantos precisar e só devolve no final do semestre. Ao não ser que alguém peça o livro, e você tem duas semanas para devolver. O pessoal da biblioteca manda até carta avisando da devolução.

Outra coisa interessante é que na Perry você pode até comer! Em todos os lugares entrar com mochila é permitido (também, haja armário pra guardar os pertences de milhares de estudantes), e em algumas bibliotecas é permitido comer. A parte de microfilme da Perry é um desbunde: você pode scanear o microfilme que você quiser.

Já os alunos são um show à parte. Uma grande diversidade de culturas e línguas que aqui em Austin encontram um lugar de expressão, mas também de uniformização. Todo mundo anda de celular, anda falando no celular, dirige falando no celular. Sim, aqui não é proibido dirigir e falar no telefone. Todo mundo tem IPod, em qualquer lugar, em qualquer hora, sempre tem alguém com os famosos foninhos brancos. E mesmo outras marcas de MP3 player já imitam o foninho branco. Enquanto no Brasil o IPod mais badalado é o de 512 MB, que custa quase 1000 reais, aqui o 512 MB é o mais fuleirinho. O pessoal compra de 1GB, 4GB, 5GB.....quem dá mais: 20GB!!

Todas as meninas (as mais novinhas pelo menos) andam de shorts (curto), camiseta, óculos escuros enormes, tipo Jackie O., cabelo com chapinha e bolsa enorme, para caber o laptop. Cabelo curto está na moda, channel assimétrico. Fora isso, o povo anda bem despojado. Há os que se arrumam muito bem , há os que não estão nem aí. Aqui é Austin, be yourself, seja você mesmo.


3. Vida social

Bom, infelizmente não pude aproveitar muito do que Austin oferece de divertimento por não ter carro. Depender de ônibus limita os horários e os itinerários. Sem contar que poucas coisas são baratas ou de graça. E como tenho de resguardar meu bolsinho, ainda não participei de nada extraordinário. Nesse exato momento está rolando o grande festival da cidade, o Austin City Limits, que contará com Oasis, Coldplay, entre muitos outros. É perto de onde moro, mas os ingressos são impraticáveis para o meu padrão terceiro-mundo...

Para não dizer que não vi nada, nessa última terça-feira foi assistir à palestra que o Dalai Lamadeu na UT. 12 mil pessoas lotaram o estádio Frank Erwin. Foi OK, tirando o fato de que o Dalai Lama não fala inglês com muita fluência, o que dificultou muito o entendimento de sua mensagem. Mas o lance era estar lá. Já imaginou....a pesquisadora de *história das Religiões* não ver o Dalai Lama de graça na UT???

Eu moro na rua mais badalada de Austin, a West Sixth, onde recentemente o sobrinho do Bush foi preso por estar manguaçado. Mas imagine a Avenida Paulista; esta é a sixth, e eu moro bem no final, onde não há mais bares. Portanto, ainda não pude aproveitar essa parte da cidade. Mas aos poucos eu vou explorando o lugar. Só não fiz isso mais vezes, por causa de uma bela alergia...


4. Austin: a capital nacional da música ao vivo ....e da alergia.

Eu não sabia, mas semana passada descobri que Austin é a capital nacional da alergia. A previsão do tempo aqui inclui a taxa de alergenos no ar, em especial mofo, pólem e ragweed, que ainda não descobri o que significa, mas é uma plantinha. E a taxa é sempre alta, pois há muitas árvores, é muito quente e úmido, e chove pouco.

No início da minha estadia, eu achava estranho não ver ninguém andando muitos pelas ruas com área verde, mas depois eu descobri o porquê...

Além disso, como é muito quente, todos os lugares fechados possuem ar condicionado, em geral ligado no último. Imagina que belo choque térmico!

Alergia é levada a sério aqui, e há sessões e mais sessões de farmárcia e supermercado com produtos para alergia. Mas como os remédios mais eficazes e fortes são vendidos sob prescrição médica, em geral os remédios over the counter, nas prateleiras, são mais fraquinhos.

Descobri isso quando minha garganta ficou inflamada há quase duas semanas, e não sarava com nada. Fui parar no posto de saúde da Universidade e fui muito bem atendida. Depois de um bom tempo piorando fui dignosticada com bronquite asmática.

Mas o interessante aqui é que você não é atendido por um médico, e sim por uma enfermeira, chamada Nurse Practitioner, que faz as vezes de um clínico geral. E é uma situação engraçada, pois a enfermeira não pode prescrever nada sem a autorização do médico. Então ocorre o seguinte: você é atendido e dignosticado, a enfermeira fala com o médico no corredor sobre o seu caso, e o médico assina o papel. Ainda não entendi porque você não tem acesso a um médico, mas só sei que é assim....

Em breve, mais notícias.
Um abração a todos!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Quinta-feira, Setembro 22, 2005


(NOT SO) LOVELY RITA

Sei que ninguém mais lê esse blog, mas acho importante reportar o seguinte: Austin não está na rota do furacão Rita, mas poderá sofrer *respingos* dele. Aqui é o centro do Texas e muitas pessoas estão vindo de Houston para se refugiar aqui. What an adventure: sair do país e presenciar dois furacões!....



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Terça-feira, Setembro 20, 2005


DALAI LAMA

Gentem, eu vou ver o Dalai Lama ali na esquina e jah volto heheheh....

Nao entendeu? clique aqui.



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Setembro 04, 2005


O MELHOR DA VIDA É VIVÊ-LA

Queridos súditos, a rainha está de volta. Não ao Brasil, mas à Blogolândia, craro.

Esse último mês tem sido surpreendente, e por isso, demorei a escrever. Sei que muitos estão curiosos em saber como é viver na Terra do Tio Sam, e eu mesma pensava que escreveria um post por dia aqui nos States. Mas não foi bem isso que ocorreu, and I will tell you why.

Essa é a primeira vez que não só saio do país, como de casa. Viver em uma outra cultura sozinha é uma grande experiência, e confesso que estava precisando disso. Mas exige um tempo de adaptação e de aprendizado que tomou por completo a minha atenção. Graças a Deus, tive uma excelente companhia para me explicar as coisas e não me deixar cair em roubadas ¿ a Bethany, uma aluna do doutorado da Universidade do Texas, que gentilmente me ofereceu um canto para ficar enquanto procurava um canto para mm mesma.

Nesse último mês aqui nos Estados Unidos aprendi que o melhor da vida é vivê-la. Parece clichê de comercial de margarina, mas é verdade. Austin é uma cidade muito bacana, e a Universidade do Texas é um lugar fantástico. Sem contar que isso aqui é a América, a terra do consumo e do capitalismo, de uma galáxia de novidades que nunca virão para a Brasilândia. E foi com tudo isso e muito muito mais que eu andei me distraindo por aí. Ah, sim, al[em disso vim para estudar, lógico.

Muitos dizem que Austin é completamente o oposto do Texas, e quiçá dos Estados Unidos. Não saberia dizer, pois não conheço outras partes do país, mas com certeza esse lugar me conquistou desde o primeiro minuto. Mesmo no aeroporto de Dallas, já pude perceber o que me esperava. Logo que saí do avião fui recepcionada por um simpático senhor de gravata colorida com um sonoro Good Morning, mam! E eram apenas 6 horas da manhã! Aqui é muito comum você ser cumprimentado por um Hello, Hi ¿ How are you doing?, Good Morning! E assim por diante. Espere isso de qualquer pessoa: do motorista de ônibus, do caixa de supermercado, de alguém passar por você. Sem contar que de nada alguém pode puxar conversa contigo, numa fila, no busão, no mercado. Em geral as pessoas são muito educadas e amigáveis, o que dá gosto de corresponder. O que eu acho mais bacana são quando senhoras de idade puxam conversa comigo. Não espere cara feia aqui nessa cidade de Sol e quase 40 graus de temperatura!

Outra coisa que me chamou atenção aqui foi a dimensão das coisas. Há poucos prédios altos, mas em compensação, as avenidas, as casas, os copos, as refeições, tudo é simplesmente huuuuge, enoooorme! E quando eu comentava isso, as pessoas me diziam: well, this is Texas! Aqui é o Texas, e parece que em todo lugar é assim. O efeito colateral disso é que é tudo muito distante, pois está espalhado pela cidade. Como uma boa cidade americana, há poucas calçadas ¿ muitas ruas são feitas para você andar de carro, e não andar a pé. Aliás, como andar a pé em um lugar extremamente quente e úmido? Mas o sistema de ônibus é satisfatório pelo padrão americano. Aliás aqui, estudante da Universidade não paga ônibus, o que é uma grande economia, e uma tremenda mão na roda. Há dois sistemas de ônibus: o shuttle é um ônibus expresso, que sai do campus para vários cantos da cidade, e o ônibus convencional, com número maior de paradas, que funciona nos fins de semana (ao contrário do shuttle). E há também uma espécie de réplica de bondinho, o Dillo, que é gratuito para todo mundo, e leva para pontos turísticos da cidade. Há até um Dillo que leva o pessoal para a balada ¿ o Moonlight Dillo. Funciona até as 2 da matina e permite que o povo encha a cara sem pegar no carro.

Ainda não fui a nenhuma balada. Aqui há muitos coffee shops (cafés), que oferece
conexão wireless (sem fio) gratuito, e muitos barezinhos de música ao vivo. Austin é conhecida como a capital nacional da música ao vivo, mas ainda não tive a oportunidade de gandaiar, pois sem carro tudo fica mais limitado. Mas há parques muitos bonitos, o que oferece a chance de desfrutar o horário de verão numa boa.

Minha maior diversão ultimamente foi conhecer os supermercados gigantescos que existem por aqui. Fazer compras é uma experiência um tanto angustiante para um brasileiro. Não somente pelo preço (há muitas coisas caras), mas pela estrondosa variedade de produtos. Ter que se decidir entre mais de vinte marcas de pão, trocentas marcas de sabonete, pasta de dente, café, etc etc etc colocou-me frente à experiência do capitalismo na sua mais profunda essência (uou!). Sem contar a especialização: há o supermercado tecnológico (Fry¿s), que vende desde interruptor até o último modelo de notebook; há o supermercado orgânico (Whole Foods), em que junk food não entra; há o supermercado da pobraiada (WalMart), porque pobre também consome, etc etc etc.

Bom, escrevi bastante! Infelizmente tenho poucas fotos, pois não tenho câmera digital ainda. Mas em breve espero mostrar as curiosidades e as belezas desse lugar ultracool!

Para quem viu o noticiário dos últimos dias sobre o furacão Katrina, não precisam ficar preocupados comigo. O furacão passou longe dessa parte do Texas, e felizmente os texanos estão abrigando os sobreviventes dessa tragédia que chocou o mundo inteiro.

No próximo post conto mais sobre a Universidade.

Um grande abraço a todos!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:



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