Catarinalândia


Bem-vindos ao Reino do rock'n'roll, filmes e televisão, governado por Catarina, a Grande, déspota esclarecida e benevolente! *Agora em Austin-TX*

CATARINA DISCO CLUB NOW PLAYING:

KLBJ FM (Austin-TX)

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* WHIPLASH! - Rock e Metal
* KIBE LOCO
*PÂNTANO DO SARNEBA
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* LILY MELODY
* TENEBRAS INFERNUM ARCADIA (Abddiel)
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* FICHÁRIO VIRTUAL
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Domingo, Outubro 30, 2005


HAPPY HAPPY HALLOWEEN!!!

Rainha Catarina retornando à Blogosfera para a atualização de mais um mês na terra de Bush Filho.

Prometi no post anterior contar da minha primeira noitada na rua mais badalada de Austin a Sixth. Aproveito para juntar com a minha segunda noitada na sixth e dar um panorama de bela fama de cidade festeira que é Austin.

No início de outubro aceite o convite de um casal de amigos para conferir a tão comentada vida noturna na Sixth Street. Aqui tudo começa e termina relativamente cedo para os padrões brasileiros. Se os baladeiros de plantão (eu me *incluo* fora dessa) no Brasil gostam de começar a noite perto da meia noite, os americanos começam a noite por volta das seis da tarde e terminam por volta das 2 da manhã, quando os bares fecham. Restaurantes costumam fechar às nove, dez horas da noite. Não tem *Gordão* pra bater um sanduba depois da balada...

Pois bem, a coisa mais legal que existe na Sixth é que a polícia fecha parte da rua (que é gigantesca) para o pessoal cair na farra sossegado. Você pode andar no meio da rua sem medo de ser feliz, pulando de bar em bar, sem precisar pagar para entrar. O som do rock e do blues elétrico é constante. Minha grande diversão foi andar na frente das casas noturnas, sentindo a boa vibração do lugar. Pessoas das mais variadas faixas etárias, molecada, tiozada, todo mundo andando pelo asfaltos e pelas calçadas da Sixth escolhendo o próximo espaço pra acomodar os ouvidos. Diga-meÇ quando que eu poderia fazer isso no Brasil? Infelizmente, eu nunca pude fazer isso em nenhuma grande cidade brazuca, e tenho certeza de que, quando retornar, não continuarei a não fazer.

Por isso mesmo, aproveito o quanto posso. Entramos em um piano bar, em que a banda do palco tocava I will survive, da Gloria Gaynor. Eram um pianista bem novinho, um baterista com cabelo de Robert Snith e uma moça no microfone. Quando a música termina, a mulher desce do palco...e vem tomar o nosso pedido! Sim, era a garçonete quem cantava. O bar, Ivory Cat, uma delícia de lugar, pequeno, aconchegante, e super animado. O pianista e o baterista faziam piada de tudo e tocavam o que o pessoal pedia por escrito, na hora. Rolou muito rock anos 60, 70 e 80, e o bar estava repleto de tios e tias se divertindo pra caramba. De lá, passamos por uma danceteria também pequena, mas não me agradou tanto quanto ter passado quase uma hora e meia de puro rock and roll!

Já ontem foi a oportunidade de ver o início da comemoração do Halloween na Sixth. Da mesma forma como muitos brasileiros aproveitam para se fantasiar no Carnaval e comemorar na rua, assim é com o Halloween na Sixth. Não entrei em nenhum lugar (fiquei morrendo de vontade de retornar ao Ivory cat, mas estava lotado), mas fiquei circulando, junto com a minha big sister, Beth, pelos quarteirões da Sixth, admirando a fauna e flora Austiniana...

Mais uma vez, rock and roll rolando solto, aquela atmosfera maravilhosa de liberdade (vigiada por muitos policiais), e uma quantidade impressionante de gente fantasiada das mais variadas coisas. Eis alguns destaques:
¿ Caras vestidos de freira. O campeão foi um cara vestido de freira grávida e bêbada (e feia;
¿ Scooby-doo
¿ Homer Simpson
¿ Lucy Ball (I love Lucy)
¿ Um cara todo musculoso vestido só de cuequinha branca (parecida o Oilman de Curitiba, só que mais sarado);
¿ Lobo mau
¿ Vampiro
¿ Willy Wonka
¿ Um cara vestido de Branca de Neve
¿ Rednecks (o termo usado pra caipira aqui ¿ aqueles caras com mullets, óculos escuros e roupa de caminhoneiro);
¿ Papa, padre, franciscano
¿ Bozo
¿ Monstro do Star Wars
¿ Soldado romano
¿ mafioso
¿ Um cara gordo, de peruca loira e *sutiã* de conchinhas do mar...
¿ A mulherada estava investindo no lado gostosa, beirando muitas vezes a vulgaridade. Deu muito shortinho minúsculo, saia microscópica e fantasia ginecológica.

Eu dormi com um sorriso tatuado no rosto, de tão contente de ter ficado no meio do povão nesse Halloween! Eu não me fantasiei porque essa minha saída foi decidida de última hora, e a Beth disse que não se fantasiaria...o legal de sair empetecada é justamente ter companhia pra passar ridículo.

* * *

O horário de verão acabou por aqui, enquanto o horário de verão começou há duas semanas. Isso significa que 4 horas (e mais milhões de kilômetros ou milhas) nos separam.

* * *

Nos dias 29 e 30 de outubro acontecem aqui o Texas Book Festival, no Capitólio, na mesma região onde moro, no centro de Austin. Pensei encontrar algo gigante, como tudo no Texas, mas a feira é menor se comparada com uma Beinal do Livro no Brasil. Mas foi divertido ficar novamente no meio do povão, vendo os lançamentos. Havia não somente banquinhas de livros, como palestras, sessão de autógrafos e conversa com autores. Um deles foi o Bill Clinton, cuja palestra estava com ingresso esgotado há um tempão. Acabei, sem querer, assistindo a uma sessão com uma figura legendária do Texas, o radialista, humorista e eterno candidato a governador do Texas Kinky Friedman. De tanto eu ver adesivos de carro e plaquinhas na frente de várias casas dizendo *Kinky for Goveror* , *Kinky why Not?*, e assim por diante, fui ver quem era o cara. Entra um sujeito de bigodão, jaquetão, chapéu de caubói e charuto na mão, e a galera alternativa de Austin (praticamente boa parte da população) vai ao delírio. Mas como ele falou longe do microfone o tempo todo, sem contar o sotaque texano bem acentuado, eu entedi pouco das piadas e da *plataforma* de governo. Enfim, saindo de lá vi uns Storm Troopers andando entre as barraquinhas de livros, entretendo a garotada e fazendo sua parte para manter Austin weird...

* * *

Outra atração típica de Austin é assistir ao vôo noturno dos morceguinhos que viúvem debaixo da ponte Town Bridge. A boa época para se assistir a isso é entre junho e agosto. De setembro a outubro, não fica tão interessante, pois não há tantos morcegos quanto no início do verão. Mas foi legal mesmo assim. Naquele dia, um sábado, minha amiga brazuca e gaúcha-cha, Carla, teve piedade de mim e me levou para ver os filhotes de Batman saírem da toca. No fim da tarde, uma galera imensa, pais, filhos, senhores de idade, cachorrada, foram se agrupando debaixo da ponte, esperando o sol se pôr, o momento em que acontece o fenômeno. Há também um povo que fica em cima da ponte, o que explica a seguinte máxima ¿ o povo debaixo da ponte vem ver os bats (morcegos) enquanto os motoristas da ponte vêem os butts (traduza como quiser).

Baixou o sol e nada de morcego, um ou outro dava uma rasantesinha na nossa cabeça. Mas eis que a organização do *evento* joga uma luz vermelha debaixo da ponte e a morcegada começa a sair, voando em bandos da ponte para as árvores no parque. Até aí não dá pra ver muito, até que do nada começam a soltar lindos fogos de artifício, um espetáculo parecido com Ano Novo (!!). Acabados os fogos, o povo aplaude e a morcegada fica doida, saindo em bandos cada vez maiores, permitindo uma visão maior do vôo. Uma hora depois, a Carla me deixa em casa, e eu volto com a missão cumprida de ter visitado mais um *lugar turístico* de Austin.

* * *

Deixem-me agora voltar à labuta! Em breve, mais notícias!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:

Domingo, Outubro 09, 2005


ROBERT RODRIGUEZ KICKS ASS

Robert who? Sim, o diretor de cinema Robert Rodriguez, ex-aluno de cinema aqui da UT, deu uma palestra di gratis aqui, dia 28 de setembro. Com sinceridade? Foi mais legal que a palestra do Dalai Lama.

Robert Rodriguez nasceu e cresceu em San Antonio, uma cidade próxima a Austin, e desde moleque, segundo ele próprio, já fazia filmes caseiros com uma câmera de vídeo. Durante muito tempo ele demorou a descobrir o que queria fazer da vida, até entrar com um pedido de bolsa e admissão na Universidade do Texas, em Austin. Sua família não tinha muito dinheiro para bancar uma faculdade (aqui o ensino, mesmo público, é pago, e é muuuuito caro), e ele foi o primeiro da família a ter esse privilégio. Matriculou-se na escola de TV, Rádio e Cinema, mas foi um aluno um tanto...relapso. Para descolar uns trocados, foi até cartunista do jornal local, The Daily Texan, e também *vendeu* o seu corpo para a ciência (ele participava de experimentos científicos e vendia amostras de sangue e de ouros fluidos para laboratórios aqui em Austin).

Uma forma que ele pensou em fazer dinheiro com cinema foi fazer filmes de baixo orçamento para o público mexicano. Nasceu a idéia de El Mariachi, que acabou o projetando para o mercado de cinema. El Mariachi foi rodado com 5 mil doletas, o que não é nada para os padrões de Hollywood. O filme acabou rendendo muito mais, e ainda chamou a atenção da Columbia Pictures, que o contratou para fazer filmes. No início ele disse precer um sonho, pois os executivos o levaram pra Hollywood, e o hospedaram em um hotel incrível.

Robert Rodriguez foi muito simpático e despojado, apresentando-se de terno, camiseta, e boné (que ele não tirou durante a uma hora de fala, e me impediu de ver o seu rosto). Como estava retornando a Universidade que o havia acolhido, foi como voltar para casa e a recepção foi igualmente calorosa. No início, ele desceu para ver a cara do pessoal que veio assisti-lo: *My God, you¿re so young!*. Não que ele fosse velho, contando apenas com 35 anos.

Sua fala concentrou-se muito em como ele fez para chegar onde chegou, dando conselhos para a molecada que cursa cinema na UT. Disse para sempre almejaram alto, pois senão ficarão presos a realizações modestas. E em seguida contou curiosidades sobre seus filmes: quando fez A Balada do Pistoleiro (Desperado), continuação de El Mariachi, a escolha de Antonio Banderas foi fácil, mas a escalação de Salma Hayek foi mais difícil de ser aceita pelos executivos, pois não queriam uma latina como protagonista. Sugeriram o nome de Cameron Diaz....somente pelo sobrenome! Já o nome do filme seria originalmente El Pistolero, mas os executivos acharam inapropriado, pois Pistolero soa como Piss (mijo ¿ sorry pelo termo chulo, mas é exatamente isso).

Hollywood espera, assim como uma parte dominante da mentalidade americana, que um cineasta latino faça filmes latinos, ou que se escalar atores latinos, o filme será direcionado para um público latino, com temática latina. Em Spy Kids, ele trouxe uma família latina para um papel nunca destinado a esse público, o de agente secreto. A idéia surgiu no filme Grande Hotel (Four Rooms), em que dirigiu o episódio The Misbeheavers, com a participação de Banderas.

Por fim, ele nos presenteou com alguns extras que irão para o DVD de Sin City (não entendi se o primeiro ou o segundo), com cenas do primeiro filme que ele fez, com 12 anos (uma seqüência de luta em que ele finge dar golpes de caratê em um colega), cenas de bastidores de vários filmes, e até uma receita de como fazer Breakfast Taco, um prato muito popular por aqui.

Resumindo, Rodriguez é gente boa pra caramba.

E por falar em breakfast tacos....

AMERICAN GOURMET

Em Roma, faça como os romanos, diz o ditado. In United States, do like the Americans do, foi a minha filosofia desde o primeiro dia. É muito divertido adotar a cultura do *Outro* , começando pela comida.

Sim aqui há muitos latinos e há supermercados em que você pode encontrar delícias brasileiras, como leite condensado (chamado La Lechera), arroz Tio João, feijão, etc. porém, como passei um mês na casa de uma americana, aprendi a gostar de algumas cositas bem texanas.

* Peanut Butter and Jelly = manteiga de amendoim e geléia.

Eu começo o meu dia como muitos americanos, com pão tostado na tostadeira, com peanut butter and jelly. Sustenta pra caramba e é uma delícia. Não precisa ser necessariamente manteiga de amendoim, há manteiga de caju, de amêndoas, de amêndoas com chocolate, etc. Você pode comprar pronto em supermercados ou moído na hora no supermercado orgânico (Whole Foods), há a versão cremosa e a crocante. A geléia explica-se pelo fato de a manteiga de amendoim ser meio seca para ser consumida sozinha. Muitos americanos levam sanduíche de peanut butter and jelly para comer como almoço ou em qualquer ocasião.

* Breakfast Taco

Confesso que não gostei totalmente de comida mexicana, que provavelmente aqui deve ser muito diferente da comida mexicana de fato. Não estou acostumada com coisas muito apimentadas, e aqui o lance é colocar pimenta em tudo. Por outro lado, há coisas gostosinhas, como o breakfest taco. Em geral , como diz o nome, é servido como café da manhã, mas prefiro comer como jantar. É tortilla (uma massa fina, parecida com uma mini pizza) com ovos mexidos, carna moída, e o que mais você tiver na dispensa. Como eu aderi a outra onda Austiniana, a comida natureba, eu faço o meu ovo (que é vendido em caixinhas, já batido) com uma mistura pra taco a base de soja, e queijo. Coloca por cima da tortilla e come com salsa, o molho de pimenta. Uma dilícia.

* Comida orgânica

Isso é típico de Austin. Aqui a onda politicamente correta é forte e isso inclui comer comida orgânica, comprada no HEB (uma grande rede de supermercados) ou no Whole Foods. Posso dizer que nunca entrei em um MacDonalds aqui, porque simplesmente é muito longe de onde estou e não existe uma loja sequer na UT. Há outras cadeias de fast-foods que só de olhar dá embrulho no estômago: Wendys, Burger King, Quiznos, estão entre os mais populares e baratos. A molecada come nesse lugares, que estão concentrados no Texas Union, aqui na UT. Mas eu ainda não tive coragem de me aventurar por essas comidas.

* Grocery Store
Aqui dificilmente alguém vai para o *supermarket*. O pessoal vai *grocery* (go grocery, go to the grocery store). Que é o nome do supermercado para os americanos. Assim como Mall é o nosso velho *shopps centis*. Como já disse em outro texto, há trezentas variedades de coisas, e o meu preferido é o HEB, que possui coisas muito boas, e baratas. Semanalmente tenho que fazer compras no supermercado, pois não há leite longa vida aqui. Você compra o leite pra semana, pois é isso que ele dura. De vez em quando consigo comprar até pão francês por 99 cents o equivalente a um duas baguetes. Outra coisa ultra americana é a sopinha enlatada Campbell¿s. Não é a única marca, mas é a mais tradicional e foi a primeira que sumiu das prateleiras no rush do Furacão Rita. Em geral o pessoal toma sopa junto com sanduíche.
O milho é simplesmente divino. Um pouco mais doce que o brasileiro, assim como a ervilha, é uma das coisas mais gostosas que eu já comi por aqui.
Na minha onda natureba , por total desconhecimento de como se prepara uma peça de carne, eu como hambúrguer de soja Boca Burgers! Muito bom, quebra o maior galho e tem pouca gordura.
No geral, porém, a comida boa é cara e a comida ruim, cheia de gordura ruim, é baratíssima. Crianças, não façam isso quando saírem de casa: no início da minha estadia eu economizei em comida, comprando porcaria, e caí doente em um mês e meio de States. O que economizei em rango, gastei em remédio.

* Coffee shop

Já disse em outro texto que aqui é cheio de coffee shops, e há cadeias nacionais como a Starbucks, a Seattle¿s Best, a Java City, e até na biblioteca central abriram um coffee shop. Aqui no Texas tudo é imenso e o copo pequeno é o equivalente ao nosso copo médio de refrigerante. É meio carinho, dependendo do que você pede, mas sempre compensa, ainda mais num dia frio. Sim, sexta-feira foi um dia muito frio, e aproveitei para fazer como os americanos e saborear meu Caramel Macchiato no Java City da Perry Castanheda em plenos 11 graus centígrados. Finalmente o outono chegou!

Meu texto está gigantesco, mas compensa todo tempo de ausência. No próximo texto, minha primeira noitada na Sixth Street!



Súditos que beijaram a mão da Rainha:



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